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May 30 Sociologia & PsicologiaHá muito tento fazer ligações entre Sociologia e Psicologia, a dificuldade maior que se encontra nesta tentativa é que os objetos de estudos primordiais das duas correntes de pensamento são divergentes em essência. A Psicologia estuda o homem, seus padrões de comportamento, sua cognição e seu “espírito”. Já a Sociologia, procura enxergar os padrões das dinâmicas sociais, a história, as culturas humanas e seus entrelaçamentos. Mesmo entendendo essa dicotomia epistemológica, não consigo parar de pensar que há pontos de confluências entre as duas disciplinas separadas pelos ideais positivistas, e após me defrontar com a Sociologia de Max Weber, e com as idéias discutidas pelos teóricos da escola de Frankfurt, vi que de fato, construções teóricas humanas sobre os homens sempre estarão coladas sendo impossível percebe-las de fora como tentam os métodos científicos.
Como podemos perceber, todas as construções teóricas sendo humanas, e em especial as feitas sobre os homens, podem delinear o entendimento sobre as questões tratadas em tais esferas sempre consonantes, Weber em sua obra “A Ética Protestante e O Espírito Capitalista” fez, talvez sem querer, talvez por um afastamento científico, uma verdadeira avaliação psicológica de fatos (e mesmo do próprio capitalismo) que proporcionaram a ascensão do capitalismo nos Estados Unidos. Também podemos ter como exemplo, a teoria crítica de Adorno e Horkheimer que utilizou a corrente freudista psicanalítica para discutir e questionar os métodos e as intenções da teoria tradicional, principalmente a crítica da ideologia desta teoria, que se firmava uma sociologia do conhecimento, teoria segundo a qual tinha como passo fundamental inferir um conhecimento topológico sobre algum assunto para depois fundamenta-lo com dados e fatos visualizados em uma posterioridade transcendente. ‘É fácil entender como tais argumentos podem falhar em sua veracidade, qualquer pessoa poderia dizer que na Roma antiga houve escravidão, racismo, submissão hierárquica, tirania ou mesmo uma república democrática, fazer pesquisas em livros de 2º grau e tirar suas conclusões (é claro que a ciência positivista não é tão simplista, mas em essência e pictoricamente a coisa funciona desta forma mesmo)’. O que a teoria crítica de Horkheimer vem propor é um entrelaçamento histórico, cultural e individual nos moldes psicanalíticos, mas como seriam as críticas da ideologia feitas nestes moldes? Fala-se de uma crítica imanente, uma intenção de inferir propostas sim, mas tento como fundamento tanto a intenção do olhar, como os objetos em suas essências, como também mergulhando historicamente e culturalmente em sua época tentando visualiza-los como foram e porque poderiam ter sido, é aqui que reside o grande diferencial, a lógica da crítica vem de dentro do observar em transformação e somente de dentro, pois seria como uma análise psicanalítica, uma pessoa que pode vir a ser sem o “problema” (objeto que será analisado) contrata uma outra (seria o ideal) que pesquisará sobre o que foi (contexto histórico-cultural-econômico) para tentar dizer o que é transformando-o em o que pode vir a ser (conclusões). É válido frisar que são apenas sugestões (e a lógica só funciona nesta nova metodologia), tanto o que é, quanto o que foi, quanto o que pode vir a ser. Gostaria de agora falar um pouco sobre Economia, pois na Psicologia que podemos interagir com a Sociologia, essa área, de maneira alguma pode ser descartada. Estive pensando como funciona a economia de mercado, e só agora pude entender que quem faz críticas ao capitalismo da maneira clássica, a saber, alguns Comunistas, alguns Esquerdistas, que são apenas vulgares em suas proposições falando de superação do capitalismo e imposição de um socialismo, pois ainda não tive a sorte de alguém falar de como o Mercado pode sustentar o povo com um leve status quo de república, como se tivesse por intenção o bem comum, (quero deixar claro que aqui não há inocência, sabemos que depois do capitalismo financeiro o materialismo perdeu boa parte de sua função, dando ao seu antigo submisso –o capitalismo– uma autonomia quase total –e será que daria pra utilizar a Psicanálise aqui? – encontrando “suas próprias saídas” para se multiplicar) penso que talvez o comportamento do nosso presidente LULA, paradoxal para alguns, pode estar se utilizando desta idéia para obter do Mercado o bem estar social até que nos tornemos suficientemente livres dele. Uma boa crítica atual é dizer que isso não adianta, pois onde há Mercado há pessoas pensando nele, pessoas pensando em mantê-lo, se tornando escravas dele, que é exatamente o que acho está acontecendo ao Brasil e inclusive os países latino-americanos que tanto se dizem antineoliberalismo, mas não fogem dos ideais de consumo. Penso que uma investigação psicológica com perspectivas sociais-psicanalíticas pode mostrar-se eficaz em tais contextos tão neuróticos, onde parece não haver saída, onde parece não escolhermos entrar, onde só conseguimos pensar no capitalismo como um monstro destruidor que devora não só o caráter, mas também gente (nas favelas, no Iraque, na China e aqui em Fortaleza). Arriscar um carro pode ser mais doloroso que riscar uma vida? O que é prioridade? O que é importante? Estes são os problemas individuais que devem ser analisados, assim como, a submissão das pessoas que acham que as coisas estão boas do jeito que estão, pois consumir é o ato religioso mais importante e até moral neste momento. Termino com uma breve estória que lembrei, um colega me contou que quando trabalhava com as câmeras de vigilância de uma grande avenida viu: Um clássico “Playboy” parado em um sinal, e uma senhora de seus 40 anos andava distraída quando tropeçou em sua BMW conversível daquelas bem baixinhas, machucando o cotovelo e arranhando levemente aquele vermelho-pérola do carro, o rapaz muito bonito, desceu elegantemente de sua super máquina e quebrou-lhe os dentes deixando-a desfalecida no asfalto. Depois passou a mão no arranhão e saiu tranqüilamente desviando da infeliz estendida no chão. Trackbacks (1)The trackback URL for this entry is: http://monteirofortal.spaces.live.com/blog/cns!76B8148582FACB7B!638.trak Weblogs that reference this entry
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