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September 10 Cultura de mesa: Cultura de mesa por Montaraz
Culto. É comum identificar alguém por esse adjetivo não é Lou? mas o que pode ser dito de uma pessoa culta? Tal sujeito estaria imerso na cultura? Isso é cultura? Esse tipo de adjetivação não seria completamente inapropriado Iam? Sim Lou, porque niguém está fora de nenhuma cultura (so por isso viu?!) Mas há certa razão neste pensamento, quer falar sobre isso? não. Mas porquê? porque você é mais culto Ian. Mas você falando desse modo compreende-se cultura em termos de apreensão de conhecimentos, e apesar disso não ser de todo errado, você tem os seus e eu tenho os meus, mas cultura não se reduz a isso. Por exemplo: pode-se dizer que se um sertanejo (que não tenha sido educado nos moldes culturais aos quais estamos familiarizados) previu uma boa safra observando o comportamento de animais, este vem a ser uma pessoa muito culta. Pára Ian, eu já disse que não quero falar sobre isso! Ainda mais com você se contradizendo, disse que não era só questão de conhecimento. Calma cara, veja só, e se aparece um agrônomo que prevê como o agricultor? este não seria culto como ele? Sim é a minha opinião, apesar de parecer haver menos “valor” neste caso. É porque esse tipo de conhecimento, do sertanejo, se distancia em muito do que se intenciona conhecer. Iam, Então o que vem a ser cultura? Conhecimento natural ou técnico? Lou, tu disse que não queria falar nesse assunto...Ah meu amigo, mas agora fiquei em dúvida, e acho que tu não tem resposta. Tenho sim! Os dois! Pois os dois deixam marcas indeléveis na história de seu respectivo grupo.
Nossa, é mesmo. Que viagem! Mas vamos falar de música que nesse assunto tu perde feio. Ah amigão, se for assim agente num sai nunca da cultura. Tudo bem, já entendi, tudo é cultura. Tu é chato mesmo ein, poxa! Também não é assim Lou. É mas não é, entende? Olha esse cara! Entao peraí, quer dizer que se eu fosse músico, eu estaria fazendo cultura e ao mesmo tempo não? Exatamente Ian, principalmente se nas tuas músicas você quisesse passar uma mensagem. Lembra do movimento Punk? Dos hippies? De como se iniciou o rock? Pois é, muitos ali estavam expressando desejos e questões muito pessoias, mas eram desejos e questões característicos de um contexto histórico, as pessoas se agrupam por suas perspectivas e constroem um saber que pode ser ouvido, visto, inclusive tocado (hehehe). Pois vou tocar uma música aqui pra você, chama-se: Iam o sabichão! Nem quando o assunto é música tu me deixa falar cara, fala sério! Tu que perguntou zé mané!
Tive um insight agora Lou, quer ouvir? Sabe aquele carro que comprei? Sabia que comprei porquê me senti incluído em um grupo? Vai dizer que isso também é cultura? Isso é imaturidade, isso sim. Comprei porque preciso, mas o modelo me fez decidir a compra. E penso que isso é cultura sim. Ah, lembrei do tempo da faculdade agora, lembro que li um cara que se chamava Paul Lafargue, ele falava sobre o direito a preguiça, e sabe o que ouvi ontem? Uma reportagem falando sobre ócio criativo? Acho muito difícil nesses tempos Lou. Exatemente, como você sabia? Eu também vi, e achei ridicullo ein?! Dizia respeito a uma pesquisa que estava sendo desenvolvida não era? Sim, achei ótimo, pois falava que estavam desenvolvendo métodos de trabalhar sem estar no ambiente de trabalho, e eu odeio minha empresa. Será que tu não odeia o seu trabalho ein Lou? E Tu achou ridículo porque? Oras, eu por exemplo já levo trabalho até pra minhas conversas com amigos, aposto estão desenvolvendo métodos de se levar até pra cama ( Se é que você me entende). Afe Iam, tu também é muito exagerado. Claro que não, e você acha que qual é o nosso maior problema na atualidade? Acha que é falta de conhecimento? É não cara, é falta de trabalho, o conhecimento esta aí, é so pegar, esta acessível a todos. Agora te peguei mestre Iam! (Hehehe) De que adianta informação sem educação? Ah, não enche cara, tu nem sabe o que fala. E eu acho que já ta na hora de voltar pra casa porquê o nível da conversa já baixou...Olha o bichinho ficou sentido...(hahahaha).
Lou tu percebe o tanto de cultura que é feita numa mesa? E pense em outras mesas que não essa. Cultura de botequim Iam, só seria cultura se alguém escrevesse o que falamos. Não mesmo caro Watson, nós nos relacionamos e nos influenciamos de modo recíproco, e isso é cultura. E digo mais, aposto que alguém está escrevendo algo parecido com nossa conversa por aí. Já pensou se alguém apresentasse um trabalho dessa forma na tua disciplina? transcrevessem uma conversa. Se apresentassem Lou, do jeito que foi dito aqui, todo o encanto estaria perdido. Vai dizer que tu não ia gostar? Talvez, se houvesse umas citações do tipo: Cultura, segundo Pierre Lévy, cultura para Marilena Chauí...Esse cara não é antropólogo? Não, é Filósofo, filósofo da informação. Mas escreveu sobre antropologia não foi? Lembro de alguma coisa do tipo. É, escreveu a Inteligência Coletiva, por uma antropologia do ciberespaço. Vixe, esse é doido. É nada, ele é sensacional. Iam, gosto de falar contigo porque me lembra da época de faculdade. Já eu acho que nunca vou sair de lá. Sim, mas deixa eu falar, tem duas reflexões dele que me marcaram muito. Quais? Ele dizia que o nomadismo é nossa próxima evolução, algo do tipo: não quereríamos mais pertencer a uma única tribo, naturalmente viveriamos em vários grupos sem sentir falta de um específico, teríamos varias personalidades e identidades ( e não apenas máscaras como se faz hoje) e seríamos tão globalizados que teríamos que inventar uma nova inteligência (vixe, acho que viajei Lou, foi mal, acho que ele não fala nada disso), mas a outra lembro perfeitamente: e isso marcou meus passos até hoje, talvez nem tenha sido ele quem disse pela primeira vez, mas foi ele que me marcou. -O que há de mais vailoso no mundo do trabalho hoje em dia, não é a informação, não é porque você tem mais cursos que ocupará a melhor vaga, e sim porque é mais justo, mais gente, mais ético. Nas palavras dele: “...a economia girará, como ja o faz, em torno do irredutível: a produção do laço social, o relacional.
Viu como apenas uma frase marca, delineia, uma teia cultural em nossa vida? Só me tornei professor porque amei a educação, e você não vai fazer o que ama? Aliás esse papo todo veio de um adjetivo que tornou-se quase um verbo. Iam, só mais uma pergunta antes de você ir, já ta na hora né?! Fala Lou! E as manifestações artísticas, históricas? Isso considero como uma importante observarção, pois é neste campo que pode-se materializar toda esta abstração. Ah, então quem conhece muito de arte é que pode ser chamado de culto? Vou largar aquele emprego e voltar pra música! Lou, você acaba de expressar uma das manifestações culturais mais atuais. Como dizia Raul, faça o que tu queres...Poxa, valeu, vim aqui tomar uma pra ir dormir...Garçom! March 22 passado é tudo aquilo que já pensamos...
February 08 É relativoEu me riu com toda essa relatividade generalizada. Quem anda nessa corda bamba achando estar sendo modesto, achando-se mediador de soluções, pensando ser bom garoto, dando direitos a todo tipo de conjecturas razoáveis, achando-se sempre fenomenologicamente astuto, pode, pensando melhor, não passar de medíocre. Esse movimento cotidiano de não suportar qualquer crise detona com a racionalidade humana, não ser bom nem mal, sendo bom pode ser mal e mal ser bom, que aberração monstruosa é essa chegada de conclusão, nem cristo aguenta tais afirmações, "Ele vomitará da boca uma igreja morna e satisfeita" (Apocalipse 3:15-17).
Essa nuvem parca de boa intenção na verdade pode estar carregada de negras tempestades. É uma típica mortificação do espírito, eu não preciso saber de outras realidades, é o que afirma a genialidade do meio termo. Não está disposto a encarar a própria realidade vista por si mesmo, por isso talvez evoque a sábia definição -depende do ponto de vista. Essa realidade não passa de ficção para o palhaço enganador que julga com falsa justiça, querer ser justo pode ser sua intenção, mas este esquece que a justiça é a mais burra e cega criação humana. Dar opiniões deve ser seu interesse, mesmo que seja uma opinião justificativa relativizada, canso de ver gente discorrer sobre um assunto tendo uma visão paralela, e falam como papagaios, e parecem olhar como aves, o que torna muito difícil andar em frente sem um olhar soslaio, uma visão que precisa de fundamentação de um grande teórico do passado (cabeça de lado com um olho pra frente e o outro pra trás), canso também de não saber o que falar quando me pedem opinião, é que prefiro calar e repensar a lançar um jugo carregado de pré-conceitos. "Preciso andar só pra embaçar minha visão diante dessa representação mundana". January 23 Pai, deixa eu treinar? Drama? Angústia, agonia mesmo, é tão difícil viver entre altos e baixos. Por quê as pessoa se satisfazem se sentindo superiores a outros seres? Será que há esse prazer? Será que eles não querem dominar mesmo? Será que não querem só fazer o melhor para seu súdito? O problema é que eles nem sabem que estão martirizando o submisso, por exemplo, o patrão que dá de todo coração dá um emprego ao niguém zé que precisa alimentar seus filhos, tenta de todas as formas possíveis fazer o bem a este mas não sabe que no fim do dia se torna um carrasco. A máxima Sartriana, o inferno são os outros não se encaixa a minha realidade, talvez os outros, mas os que estão dentro de mim, aqueles que eu não entendo ou que não consigo fazer entender. As lógicas que podem e deveriam ser comuns são exclusivas, só individualmente inteligíveis. Uma parte de mim está presa ao meus dominadores, logo eu que me acho um ser livre. Meus preceptores me dominam de uma forma incorrigível, sabe a liberdade que o dinheiro nos dá? Essa mesma liberdade acorrenta aqueles que não têm como se desvincular da miséria, a miséria humana, essa miséria, miséria de não puder ter liberdade. E quando se acha que tem, pensa que todos deveriam usufruir dessa virtude. Preciso fazer planos, devo "executar" minhas idéias? Tudo isso que temos e que nos acalma faz parte do projeto satânico. Agora estou na eminência de sair do casulo, mas ele é tão quentinho, tão sedoso, por quê é necessário esperar pelo inverno brutal se já sabemos nosso futuro, sabemos que não suportaremos a queda, porém, infelizmente, não sabemos que as asas já estão forjadas, precisamos muito agir, logo eu que quis me enganar dizendo que esse ano seria de ação. Encontrei, um pouco mais no fundo do casulo um novo compartimento que eu já sabia existir, tive medo de ver a janela para o mundo, essa realidade que todos nós sabemos existir mas que não nos permitimos conhecer e apreciar...Meu patrão viajou para negociar, e me deixou na mão, sem expectativas, ele disse que eu deveria aguentar mais um pouco, disse ainda que essa negociata era muito importante para a empresa continuar existindo, para que eu continuasse a ter um emprego, mas esse covarde que se sente dono do mundo por ser chefe da colônia (só na teoria) só vive as custas de outras larvas, e esquece de dizer que ao me deixar na mão, ao me deixar só, minha mente quebra as correntes. E que vacilão, tenho eu todo o potencial humano, tenho mãos, é só me debater, romperia todas as grades com essas asas encolhidas. Mas minhas mãos estão calejadas de tanto tapa em ponta de faca, estamos dilacerados pela escravidão, sabemos que não chegaríamos ao primeiro quilombo. A mata é virgem e tem tudo que podemos um dia sonhar saborear, sonhar conhecer, a realidade, onde a natureza está guardada, onde poderemos voar livremente não passa de um novo casulo, talvez, saber que estamos presos a falibilidade da mente humana nos deixe tão tranquilos onde estamos, alguém dirá inteligentemente: Já que lá fora irei sofrer pra voltar a esse estado de conformismo, pra que sair daqui? Meu pai, meu pai... January 04 VoltaMinha cabeça está refrescante, mas o que fará um sentimento tão sublime? Me sentir bem com drogas que ainda correm nas veias? Me sentir reconfortado com um belo fim de semana? Conhecer gente nova? Conhecer mais profundamente consciências já conhecidas e saber que não me causam perigo? Prazer de ter do que lembrar? Prazer em rever todas as paisagens maravilhosas fotografadas na mente? O que há de traumatizante em perder? O que há de problema em se deparar com o fim de um momento? De um fim de semana, de uma farra muito bem feita? Ver gente se comportar como animal? Ver-se assumir esse instinto feroz e demasiado humano é um alívio pra mim, fico tão feliz em me sentir bicho que não quero ficar só, pretendo convidar a todos para experimentar essa experiência, sabe quando agente gosta de um poema, ou de uma droga? Queremos que todos desfrutem desse prazer. Gostaria de um dia conhecer pessoas que sejam assumidamente humanas, não esquecendo que ser humano também é raciocinar, errar, amar, odiar, sentir. Na verdade, me sinto tão mudado, tão rejuvenescido, que nem reconheci como meu, o peso de escritos anteriores. Quem quer me ver como gente, agora terá a oportunidade, vocês vão se maravilhar, terão ciúmes com a reviravolta, só temo por saber que como um círculo, a volta do peso é eminente, basta uma desilusão, basta um pensamento negativo, mas dessa vez não me deixarei dominar tão facilmente, serei pouco humano nisso, a era da fraqueza já passou, é tempo de um novo tempo, um novo encarar dessa vida desprezível, fazer com que eu seja amado sem esquecer de ser pontiagudo, ser odiado por amar, ser simplesmente gente, ida sem volta, o tempo nos deixa cicatrizes na alma e 2005 se foi, e o que ficou foi a natureza, e ela sempre volta, sempre volta. Podem me matar e me enterrar, mas eu levantarei. June 14 A outra históriaDez minutos antes de fazer uma prova fui à biblioteca para passar o tempo, olhei aleatoriamente a fila de livros na seção de filosofia e peguei um pequeno, Descartes. O alarme para a prova tocou, saí pensando: como anular um pensamento? Como contestar alguma razão por mais que seja óbvia? Comecei a pensar engenhosamente: Bem, ultimamente não consigo parar de pensar na idéia de morte, penso massivamente, chego às margens do rio da razão, quase tocando a terra firme (morada dos loucos). Descartes diz que pensa logo existe. Comecei a tentar desafiar o filósofo fundamentando minha intenção de dizer: Penso, logo estou morto (Ainda não consegui). Mas o dia ainda não acabara, estava eu, talvez predestinado, com a intenção de assistir ao filme "A Outra História Americana" e comecei a pensar que talvez eu esteja confuso demais, talvez não esteja preparado para chegar a qualquer conclusão. Será a razão é a única via das verdades? será que Descartes conseguiu alcança-las com todo o seu método? É nesse ponto que começo a ver algumas verdades. Estou vivo, é fato. Vou morrer, é fato. Mas devo eu ser tão egoísta a ponto de só olhar para a minha existência? E o homem? e as vidas que existem fora do meu corpo? Então olho para o lado e vejo meu pai com essa obsessão por mater as vidas que o cerca, abstendo-se de qualquer introspecção, desviando o olhar do espelho. Nossos pais, meus camaradas, são verdadeiros humanistas! Estão sempre muito preocupados com a manutenção da existência da prole. Reflexões desse tipo não é novidade. Penso: Devo deixar isso para os sonhadores? para os existencialistas? Devo ficar apreciando o adorável sabor do desgosto? Sinto-me inerte, oprimo-me. Uma motivação me mantém vivo,sabia? Esse andar da carruagem me dá uma vaga idéia de poder que resulta em um desejo insapiente de tentar mudar algo. Não quero mais me deter a avaliações do meu ser (é ruim ein?!), temos um objetivo maior, devemos toda essa beleza e tristeza que é a vida à sociedade (Deus ou que pensares), e é para manter essas idéias, meus queridos, que devemos labutar. "Não somos inimigos, mas amigos. Não devemos ser inimigos. Ainda que paixão o obrigue, não devemos romper nossa afeição. As cordas místicas da memória reviverão ao serem tocadas...tão certo como serão pelos anjos de nossa natureza". (Desconheço) |
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